segunda-feira, 30 de março de 2009

AGONIAS PEGAM. VIAGENS TAMBÉM

Como será essa coisa de uma coisa pegar? De repente, todo mundo está fazendo aquela coisa daquele jeito. Não por moda, mas porque de repente está mesmo fazendo daquele jeito, todo mundo. Filme nacional, por exemplo. Sempre umas pessoas se juntam e saem pelo Brasil e as coisas vão acontecendo assim, o pessoal viajando. Central do Brasil é assim. Aquele filme com o Wagner Moura, a filha do Ninho com a irmã da Sonia Braga e mais aquele crioulo ótimo, baiano também, logo que o filme começa, não demora muito e eles pegam a lancha e se mandam. Tapete Vermelho, o do Mateus Nachtergale imitando o Mazzaropi, uma gracinha, é isso também. A familia toda sai procurando o filme do Mazzaropi, e tome pé na estrada. O filme que o Fagundes faz papel de Deus é outro, feito em cima do conto do João Ubaldo. Deus vem procurar um substituto, pega o Wagner Moura e lá se vão eles viajando pelo Brasil. E o das aspirinas e cinema e tal, então, nem tem dúvida. Já começa o alemão viajando, pega o João Miguel e pé na estrada. Não que não fique bom. Mas quando o filme é nacional, agora, já sei que aí vem viagem. Aí vem Baibai Brasil, que eu nem tinha citado, mas, bem, você já sabe.
E romance. Acho que neste caso é culpa do Paul Auster. Romance é assim: tem um sujeito de cama, pra morrer. Seja por que causa for. Está mal, agonizante, Pode ficar bom depois, mas está muito mal. E ali, na cama, ou ele começa a pensar coisas, ou começa a escrever mesmo, ou tem lembranças. E aí o romance vai acontecendo. Os últimos do Paul Auster são todos assim. O último ainda nem li, mas já sei que é um velho tomando morfina em hospital e relembrando a vida. O Terra Vermelha, do Domingos Pellegrini Junior, é assim – e como meu pai agonizou no mesmo hospital do personagem, até o cantar dos pneus dos carros lá fora eu reconheci. Bem, eu também passei uma noite muito mal no mesmo hospital. Acho que foi quando a bactéria começou a agressão que dura até hoje ( e foi em 2003). E agonizei em alguns hospitais.Bem, o Leite Derramado, do Chico, que ainda não comprei (saiu ontem, não deu tempo, hoje fiquei tirando radiografias e comecei uma fisioterapia fora de casa, depois caí no sono, pois a fisio foi muito pesada) é assim. Comprei todos os livros do Chico. Fazenda Modelo. Estorvo. Tinha medo de ler e achar algum defeito no Chico. Aí saiu Budapest e o Saramago disse que acontecia uma coisa na língua portuguesa. Comprei, li e vi que o Chico não tem defeito mesmo, nenhum. Leite Derramado, aí vou eu, mas estou cismado com esse negócio de os caras terem de agonizar pra sair um romance. Eu agonizo, agonizo e não sai nada. Nem morro, nem sai romance. Talvez não seja uma questão de agonizar, mas de ter talento mesmo.

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